sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

2000 Visualizações!

E diz que quem tem um blog faz isto... =)

Ilustração de André Letria do livro "Caracol e Caracola" (OQO Editora)
Boas Leituras e Bom fim de semana!


BLIMUNDA

Este mundo da literatura infantil tem-me levado a conhecer iniciativas e projetos que me fazem ficar a pensar: "Mas onde é que andei este tempo todo que não conhecia isto..." Tem sido uma descoberta maravilhosa e que sem querer compromisso acabo por me sentir comprometida em ir partilhando aqui no blog o que vou lendo, vendo, descobrindo, clicando e vivendo.

A Blimunda já existe desde junho de 2012 e só em janeiro deste ano é que a descobri... Até tenho vergonha, mas é verdade. E como não quero mais pessoas a sentirem-se envergonhadas, aqui vai... =)

A revista literária digital da Fundação José Saramago, de nome inspirado na protagonista deMemorial do Convento”, todos os meses dá-nos a conhecer um pouco mais da cultura literária e também sobre outras questões apoiadas pela Fundação. Existe também uma rubrica destinada aos mais novos, com sugestões de livros infantis e juvenis, críticas e novidades. Vale a pena ler!



Podem ler a BLIMUNDA de fevereiro aqui.

Boas Leituras e Boas Descobertas!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

"Jardim do Lago, árvore n.º 5, 2.º ramo frente" #5

A semana vai a meio e vamos lá visitar o "Jardim do Lago" que com este episódio nos deixa a voar para além das nuvens...


Episódio 5

Para o pardalito, de tenra idade, ainda com muitos segredos da vida por desvendar, era um mistério que algumas criaturas voassem e outras só conseguissem caminhar em terra firme. Nunca tinha feito perguntas à mãe ou ao pai sobre este assunto, mas tencionava fazê-lo.
Do seu ramo via passar no jardim as pessoas e os cães, sempre no chão, a duas ou a quatro patas, mas nunca no ar. Os gatos pareciam-lhe uma espécie híbrida, entre o cão e o pássaro, porque os via dar grandes saltos de telhado para telhado, quase parecendo que voavam. Intrigavam-no, mas nunca se aproximara para investigar. A mãe recomendara-lhe cautela, que os gatos caçam pardais e outras aves. E conselho de mãe não se despreza.
– Bom dia, filhote. Já acordado?
– Acordei com uma conversa dos insetos aqui do nosso ramo.
A mãe olhou em volta.
– Onde estão? Não os vejo. Parece-me que sonhaste...
– Não, mamã. Já levantaram voo. O gafanhoto e as duas joaninhas foram juntos. E eu fiquei a pensar na maravilha que é voar... Não achas, mamã?
– É verdade, filhote.
– Mas nem todos os animais voam. Os homens, por exemplo, só os vejo andar no chão.
– Aí é que te enganas, meu filho. O homem é quem voa mais alto.
– Não compreendo, mamã. Não é isso que eu vejo.
– O meu avô dizia que o homem sempre sonhou voar. Via os pássaros no ar e pensava que havia de descobrir maneira de voar.
De repente, ouviu-se um ruído atroador e uma ave de grandes dimensões sobrevoou o Jardim do Lago. Os pardais estremeceram. O pai e o irmão do pardalito acordaram com o barulho.
– Que grande pássaro, papá! Não tiveste medo?
– Não, filho. Não é um pássaro. É uma máquina inventada pelos homens para nos imitarem. Chama-se avião.
Afinal o pai conhecia. A mãe e o irmão também. Só ele nunca vira um avião.
– Que engraçado! Avião parece o nome de uma ave grande. – disse o pardalito.
– Pois é. E tem asas e bico como os pássaros. Foi construída à nossa semelhança. – respondeu o pai – Os homens voam assim, dentro destas máquinas. Mudam de país e de continente, a grandes alturas.
– Além disso, há outras maneiras de voar – disse a mãe.
– Como? – perguntou o pardalito.
O pai e o irmão olhavam, curiosos, para a mãe, sem saberem o que ela queria dizer.
– Voar é muito mais do que bater as asas ou deslocar-se no ar. Mesmo parados, podemos voar.
A surpresa da família aumentava a cada frase da mãe. Os “miúdos” começavam a duvidar se a mãe estaria de boa saúde, se não teria batido com a cabeça em algum ramo, durante um voo mais imprudente. O pai só pensava que “as mulheres têm ideias muito estranhas”...
– Mesmo parados, podemos voar? Não foi o que disseste?
– Sim. Voar é imaginar, é sonhar, é fazer projetos... Pode-se voar em pensamentos, muito mais do que com asas. Esses são os grandes voos...
Os filhos olharam para o pai, viram-no entreabrir o bico num sorriso complacente.
Em seguida, os três viraram os olhitos curiosos para a mãe: estava em silêncio, uma pata pousada no ramo, a outra encolhida, as asas semiabertas, os olhos fechados.
O pai levantou uma asa para encobrir o bico e disse baixinho, de modo que só os filhos ouvissem:
– Meninos, não digam nada. A mãe está a voar... em pensamento.

(continua)
J. M.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

14 de fevereiro - Dia Internacional de Doação do Livro Infantil


No Dia 14 de fevereiro celebramos o que? Não, não é o dia dos namorados, é o Dia Internacional de Doação do Livro Infantil. Surpreendidos? Eu também. Confesso que não conhecia esta iniciativa e por isso resolvi partilhá-la. Assim, todos podemos promover o livro infantil e quem sabe ajudar quem mais precisa e não tem oportunidade de acesso à variedade de literatura infantil que conhecemos.
No mundo da literatura tudo é possível e tudo se torna real naquele momento em que abrimos O LIVRO e a história acontece.

Como podem participar? É fácil:

1. Oferecer um Livro a uma criança, a um amigo ou familiar.

2. Deixar um Livro numa sala de espera onde por vezes as crianças permanecem tanto tempo aborrecidas com pouca coisa interessante para fazer.
Compre um bom livro ou escolha um que tenha em casa mas que por qualquer motivo já não utiliza, por exemplo, porque já não é para a faixa etária do seu filho(a) e ele(a) já o deixa um pouco de lado.

3. Doar um Livro. Pode ser apenas um livro ou uma caixa cheia deles. Esta seleção pode ser feita por si ou até mesmo envolver a família toda, uma escola ou um grupo de crianças que se juntem para irem oferecer os livros a quem mais precisa. Podem oferecer livros a associações, hospitais, escolas, bibliotecas e quem sabe até enviá-los para outros países.
O objetivo do Dia Internacional de Doação do Livro Infantil é espalhar o amor através da literatura para crianças. Objetivo esse que pode ser cumprido no próximo dia 14 de fevereiro, mas se pretenderem fazer uma intervenção mais elaborada podem por exemplo nesse dia fazer a seleção dos livros e noutro dia irem entregá-los.
Bem, aqui fica a minha sugestão e a partilha!

Leiam mais informações sobre este dia aqui.

"Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo."
Malala Yousafzai (2013)


Boas Iniciativas e Boas Leituras!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

"Jardim do Lago, árvore n.º 5, 2.º ramo frente" #4

Mais uma aventura no Jardim do Lago. Esta história tem revelado mensagens para todas as idades. Cada episódio faz-nos refletir sobre o que somos e sobre o que queremos que as nossas crianças sejam. Obrigada J.M.
Episódio 4

– Bom dia, caras amigas!
A resposta foi um silêncio prolongado...
O gafanhoto quase se arrependeu da iniciativa. Teria sido inconveniente? Não, os dois insetos vermelhos com pintinhas pretas continuavam impávidos, no mesmo sítio do ramo. Estava explicado o seu silêncio: ainda dormiam.
Esperou mais uns minutos. Aproveitou para pensar no que tinha para lhes dizer, enquanto olhava em volta apreciando o jardim que, pouco a pouco, ia acordando.
– Bom dia, caras amigas! – insistiu.
A mais velha acordou, estremunhada, bateu com uma asinha na carapaça da amiga dorminhoca. As duas olharam, boquiabertas, para o gafanhoto: a mais nova porque nunca ouvira uma palavra ao seu vizinho “estranho”, a mais velha porque, depois do que a outra lhe dissera, não esperava esta saudação tão gentil.
– Bom dia, caro vizinho! – disseram em coro.
– Vejo que as amigas dormiram bem. Soninho profundo, ahn?
– É verdade, vizinho. Dormimos muito bem.
– Caras vizinhas, tenho para vos contar que ontem, sem querer, ouvi a vossa conversa...
Joana e Joaninha estremeceram.
– Mas até gostei do que ouvi. Descobri que a nossa relação iria mudar. E para melhor... E foi isso que me fez cumprimentar-vos e dizer-vos que tenho muita vontade de viver em harmonia na nossa árvore e sentir que dormem ao meu lado duas amigas.
– Obrigada. Ficamos felizes com o que nos disseste. E por te conhecermos. Já agora... como te chamas?
– Valentim. E as meninas?
– Eu sou Joana.
– E eu Joaninha.
– Vai um voozinho para comemorarmos a nossa amizade? – propôs Joana.
– De acordo. Hoje vamos até ao canteiro das dálias. Um... dois... três!
Joaninha contou até três para marcar o momento da partida, como fazem as crianças para começar uma corrida, um jogo, uma brincadeira divertida. Por coincidência, também estes amigos eram três. Embora o gafanhoto gostasse mais de se deslocar aos saltos, não quis fazer desfeita às suas novas amigas. Os três levantaram voo.
O pardalito mais novo, que acordara com o diálogo animado dos vizinhos do ramo, ficou a vê-los bater as asinhas animadamente até ao sítio combinado...
(continua)
J. M.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Irlanda - País anfitrião do Dia Internacional do Livro Infantil de 2014.



Desde 1967, por volta do aniversário de Hans Christian Andersen, 2 de abril, comemora-se o Dia Internacional do Livro Infantil, com o objetivo de inspirar o amor pela leitura e chamar a atenção para os livros infantojuvenis.

(Hans Christian Andersen e o seu “Patinho Feio” no Central Parque em Nova Iorque)

Todos os anos é selecionado um país da Secção Nacional do IBBY (International Board on Books for Young People) para ser o anfitrião internacional do Dia Internacional do Livro Infantil.

Esse patrocínio e desenvolvimento da literatura para crianças concretiza-se com a escolha de um tema, que irá ser promovido ao longo de todo esse ano. Para além disso, é convidado um autor premiado do país anfitrião para escrever uma mensagem para as crianças do mundo, bem como um ilustrador de renome para elaborar um cartaz. Todo esse material é usado para promover o livro e a leitura através de eventos que podem incluir encontros com autores e ilustradores, concursos de escrita ou anúncios de prémios.

Este ano de 2014 o país selecionado for a Irlanda, com o tema: “Imaginar a Nação através da História”. O design do cartaz ficou a cargo da ilustradora Niamh Sharkey e a mensagem para as crianças do mundo foi escrita pela Siobhán Parkinson. Podem ler em seguida essa inspiradora mensagem, traduzida por mim:

Os leitores frequentemente perguntam aos escritores, como é que eles escrevem as suas histórias – De onde surgem as ideias? Da minha imaginação, responderá o escritor. Ah, sim, dizem os leitores. Mas onde está a tua imaginação, e do que ela é feita, e toda a gente tem uma?

Bem, diz o escritor, está na minha cabeça, claro, e é feita de imagens e palavras e memórias e excertos de outras histórias e palavras e fragmentos de coisas e melodias e pensamentos e rostos e monstros, e formas e palavras e movimentos e palavras e ondas e arabescos e paisagens e palavras e perfumes e sentimentos e cores e rimas e pequenos clicks e lufadas e sabores e rajadas de energia e enigmas e brisas e palavras. E tudo isto girando dentro da tua cabeça, cantando e caleidoscópicando e flutuando e sentando e pensando e coçando a cabeça.

É claro que cada um tem uma imaginação: caso contrário, não conseguiríamos sonhar. Embora a imaginação de cada um não contenha a mesma coisa. Provavelmente dentro da imaginação dos cozinheiros existem maioritariamente sabores, e a imaginação dos artistas deve ser composta por muitas cores e formas. Já a imaginação dos escritores é repleta de palavras.

E para os leitores e ouvintes de histórias, a sua imaginação é também movida por palavras. A imaginação do escritor trabalha e gira e forma ideias e sons e vozes e personagens e acontecimentos numa história, e a história é feita de somente palavras, batalhões de rabiscos que marcham através das páginas. De seguida, vem um leitor e os rabiscos ganham vida. Eles permanecem na página, ainda parecem batalhões, mas também estão a brincar com a imaginação do leitor, e o leitor está agora a moldar e a girar as palavras de modo que a história decorre agora dentro de sua cabeça, como já aconteceu na cabeça do escritor.

É por isso que o leitor é tão importante para a história como o escritor. Existe apenas um escritor para cada história, mas existem centenas, ou milhares ou até mesmo milhões de leitores, não só na língua do escritor, mas também traduzido em muitas línguas. Sem o escritor a história nunca teria nascido; mas sem as centenas de leitores à volta do mundo, a história nunca teria vivido todas as vidas que podia viver.

Cada leitor de uma história tem algo em comum com todos os outros leitores dessa história. Separadamente e de alguma forma também juntos, eles recriaram a história do escritor na sua própria imaginação: um ato que é ao mesmo tempo privado e público, individual e comunitário, íntimo e internacional. Pode muito bem ser o que os humanos fazem de melhor.

Continuem a ler!

Siobhán Parkinson

Autor, Editor, Tradutor e detentor da posição de “Laureate na nÓg” (Children’s Laureate of Ireland).
por Niamh Sharkey
(Cartaz Oficial do Dia Internacional do Livro Infantil de 2014)
Infelizmente Portugal ainda não foi um dos países selecionados para ser país organizador do deste Dia, no entanto fazemos parte da seleção de países desta organização, como podemos ver aqui.


Realizam-se em Portugal diversos eventos específicos, de forma a divulgar e chamar a atenção das pessoas para a importância do livro, bem como do ler em voz alta para e com as crianças. Como por exemplo a ILUSTRARTE - Bienal Internacional de Ilustração para a Infância, que inaugura hoje, às 19h no Museu da Eletricidade em Lisboa e vai até dia 13 de abril. Mais informações sobre este evento vejam aqui.

 

Aqui pode saber mais sobre este Conselho Internacional de Livros para Jovens (IBBY), uma organização sem fins lucrativos, que nasceu em Zurich e que representa uma rede internacional com um único objetivo: aproximar os livros das crianças de todo o mundo, inclusivamente dos países em desenvolvimento, para que todos tenham acesso a uma literatura de qualidade.

Boas Iniciativas e Boas Leituras!